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Eletromobilidade

Iniciativa reúne indústria, poder público, instituições de ensino e entidades para preparar o Grande ABC para a transformação da cadeia automotiva

São Bernardo do Campo está à frente de uma articulação considerada inédita no Brasil para preparar a indústria e o território para o avanço da eletromobilidade. Coordenado pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Juventude, Mauro Miaguti, o Comitê de Eletromobilidade reúne empresas, poder público, instituições de ensino, entidades empresariais e especialistas na construção de uma agenda integrada para o setor.

O caráter pioneiro da iniciativa foi destacado durante a quarta reunião do Comitê, realizada no Senac São Bernardo do Campo. Com experiência em projetos desenvolvidos no Brasil e no exterior, David Noronha, responsável pelo subcomitê de Economia Circular e Logística Reversa e CEO da Energy Source, afirmou não ter identificado outra mobilização com o mesmo nível de integração.

“Já percorri diferentes regiões do Brasil e acompanhei iniciativas fora do país, mas não encontrei uma união de forças como a que está sendo construída aqui. Temos poder público, empresários, instituições de ensino e especialistas trabalhando de forma coordenada, com atenção às políticas públicas, à cadeia de valor, à formação profissional e à atração de investimentos”, afirmou Noronha.

Para Mauro Miaguti, o pioneirismo coloca São Bernardo do Campo e o Grande ABC em uma posição estratégica, mas também aumenta a responsabilidade de transformar a articulação em resultados concretos.

“Estar à frente representa uma grande oportunidade, mas também amplia o nosso desafio. A eletromobilidade já é uma realidade mundial, o mercado está se movimentando rapidamente e os investimentos seguirão para os territórios que demonstrarem preparo e capacidade de execução. Estamos em uma corrida contra o tempo e não podemos perder esse momento”, destacou o secretário.

Transformação da indústria automobilística

A reunião foi direcionada à validação dos fundamentos estratégicos do Comitê e ao início da elaboração dos planos de ação. Os integrantes também aprofundaram as análises desenvolvidas pelos quatro subcomitês: Cadeia de Fornecedores; Educação e Capacitação; Infraestrutura; e Economia Circular e Logística Reversa.

Vinícius Nóbrega, gerente regional do Sebrae-SP no Grande ABC, destacou que a metodologia adotada busca garantir avanços contínuos, mesmo diante das diferentes responsabilidades profissionais e institucionais dos participantes. “Sabemos que cada instituição e cada empresa possui seus próprios objetivos e que ninguém consegue interromper suas atividades para se dedicar exclusivamente ao Comitê. O importante é avançarmos sempre, ainda que um pouco a cada etapa, para que, ao longo do tempo, tenhamos algo efetivamente construído”, afirmou.

Planejamento orientado a resultados

João Carlos Branco, da LGK – Gestão e Governança, que colaborou com a estruturação do planejamento estratégico, ressaltou que o tempo é um dos principais desafios da iniciativa.  “O tempo é o recurso mais escasso que temos. Por isso, precisamos aplicar os conceitos e avançar de forma estruturada”, explicou.

A missão aprovada pelo Comitê é transformar a vocação automotiva do Grande ABC em protagonismo nacional na mobilidade elétrica, por meio de uma agenda permanente capaz de articular indústria, educação e poder público, gerando valor, competitividade e empregos.

Para o diretor titular em exercício do CIESP São Bernardo do Campo, Jorge Alberto Corso, a regularidade das reuniões e o envolvimento dos participantes demonstram que o Comitê está avançando de maneira consistente. “Desde a criação do Comitê, temos mantido uma agenda contínua de trabalho. Entramos agora em uma fase ainda mais prática, com o estabelecimento de ações e metas para que essa articulação produza resultados concretos.”, destacou Corso.

Integração regional

O anfitrião da reunião foi Darlan Oliveira, gerente do Senac São Bernardo do Campo, que ressaltou a importância da integração entre as instituições que atuam no desenvolvimento regional.

“Estamos em uma região que conta com diferentes entidades e instituições comprometidas com o mesmo objetivo: fomentar a indústria, o comércio, os serviços, o turismo e o empreendedorismo. O mais importante é seguirmos juntos.”, afirmou.

A capacidade de articulação construída em São Bernardo do Campo foi identificada como um dos principais diferenciais do projeto.  A proximidade com o Porto de Santos, a concentração de montadoras e fornecedores, a presença de instituições de ensino e pesquisa e a experiência industrial acumulada pelo Grande ABC foram apontadas como vantagens para a integração da região à cadeia global da mobilidade elétrica.

Próximos passos

O subcomitê de Cadeia de Fornecedores trabalhará no levantamento das empresas instaladas no Grande ABC e na identificação de oportunidades para que fornecedores locais participem da produção de componentes, sistemas e tecnologias voltados aos veículos eletrificados.

Na área de Educação e Capacitação, o objetivo é aproximar as competências das instituições de ensino das necessidades da indústria, contribuindo para a atualização de currículos, a criação de cursos e a requalificação dos profissionais que já atuam no setor automotivo.

O subcomitê de Infraestrutura discutirá temas como a instalação de eletropostos, a disponibilidade de energia, os procedimentos de licenciamento e a necessidade de regulamentações que ofereçam segurança aos investimentos.

Já o grupo de Economia Circular e Logística Reversa terá entre seus desafios a rastreabilidade das baterias, a reutilização de materiais, a reciclagem e a destinação adequada ao final da vida útil. O tema foi incorporado aos valores estratégicos do Comitê por sua importância diante das exigências internacionais relacionadas à origem, à cadeia de custódia, ao conteúdo reciclado e à destinação dos componentes.

Congresso de Eletromobilidade

Outro desdobramento previsto é a realização do primeiro Congresso de Eletromobilidade do Grande ABC, programado para novembro. A proposta é reunir empresários, montadoras, fornecedores, startups, universidades, estudantes, trabalhadores e especialistas em painéis dedicados aos quatro eixos do Comitê.

“Queremos mostrar ao Brasil que existe um movimento consistente acontecendo em São Bernardo do Campo e no Grande ABC. A região não está apenas acompanhando essa transformação: está se organizando para participar dela ativamente, desenvolver soluções e defender o protagonismo de sua indústria”, ressaltou Miaguti.