A divulgação dos dados da Pnad TIC/IBGE, indicando que a proporção de usuários de internet no Brasil atingiu 90,5% da população de 10 anos ou mais em 2025 (cerca de 168,7 milhões de pessoas), reflete uma transformação profunda na nossa sociedade. Cabe analisar esse cenário com otimismo e responsabilidade, já que a conectividade é o alicerce fundamental para a conexão de uma nova era voltada à economia digital.
Essa presença marcante é corroborada por novos dados publicados nesta semana. Segundo o relatório Digital 2026, da DataReportal, o brasileiro passa cerca de 116 horas semanais conectado à internet. Além disso, um estudo recente da NordVPN aponta que o brasileiro passa, em média, mais de 52 anos de sua vida online, liderando o ranking global de tempo de tela. Essa imersão digital se reflete também na vanguarda da inovação: segundo pesquisas globais da consultoria EY divulgadas em 2026, o Brasil está entre os líderes mundiais na adoção de Inteligência Artificial, com 95% da população digital já utilizando ferramentas de IA em seu cotidiano e tarefas diárias.
Sob a ótica industrial, esse contexto é altamente positivo. A familiaridade do trabalhador e do consumidor brasileiro com plataformas digitais e IA acelera de forma direta a transformação tecnológica e a inovação no País. Uma sociedade digitalmente letrada absorve novas tecnologias com maior velocidade, facilitando a aplicação da Indústria 4.0, com automação inteligente e análise preditiva de dados. O ecossistema produtivo ganha competitividade global quando a força de trabalho já domina essas inovações.
Contudo, este novo panorama exige um olhar crítico e equilibrado. O fato de passarmos a maior parte da existência conectados deve despertar uma reflexão profunda sobre o impacto desse excesso na saúde mental e relações humanas. É imperativo zelar pelo bem-estar de nossas crianças e jovens, garantindo que o desenvolvimento cognitivo e socioemocional não seja prejudicado pelo uso indiscriminado de telas. A tecnologia deve ser um vetor de emancipação e produtividade, e não uma armadilha de dependência.
Precisamos celebrar o protagonismo digital do Brasil, mas com o firme compromisso de promover uma conectividade consciente. O desafio das lideranças de todos os setores é transformar esse tempo recorde de navegação em inovação tangível, mantendo o equilíbrio humanístico que sustenta uma sociedade verdadeiramente próspera e saudável.
Francesconi Júnior é vice-presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do estado de São Paulo) e diretor da Fiesp (Federação das Indústrias do estado de São Paulo)