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Dados recentes da Agência Internacional de Energia mostram que o planeta alcançou 5 terawatts de capacidade instalada de energia limpa, o equivalente a 360 usinas de Itaipu.

O crescimento do setor produtivo depende de uma premissa vital: não basta gerar energia limpa, é fundamental garantir o escoamento e o armazenamento adequados para evitar desperdícios e fortalecer a economia. Afinal, sem redes de transmissão eficientes e infraestrutura adequada, o potencial das fontes renováveis é desperdiçado e o custo operacional da indústria dispara, ameaçando a competitividade do nosso setor produtivo 

Hoje, em todo o mundo, vivemos uma corrida histórica rumo à sustentabilidade. Dados recentes da Agência Internacional de Energia mostram que o planeta alcançou 5 terawatts de capacidade instalada de energia limpa, o equivalente a 360 usinas de Itaipu. Essa quantidade é suficiente para abastecer 4 bilhões de residências globalmente. Atualmente, no mundo, 1/3 da eletricidade produzida, ou 34%, já provém de fontes renováveis como hidrelétrica, solar e eólica. Há 10 anos, esse índice mundial não passava de 23%.

Apesar do avanço, o ritmo mundial ainda é insuficiente diante dos acordos climáticos globais e da pressão gerada pela inteligência artificial, que consome volumes massivos de eletricidade nos centros de dados. O investimento global em energia limpa deve atingir 2,2 trilhões de dólares neste ano, quase o dobro do montante destinado aos combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão. Contudo, a Agência Internacional de Energia alerta que o aporte financeiro mundial precisa dobrar, direcionando cerca de 1 trilhão de dólares anualmente para a expansão e modernização dos sistemas elétricos. Para a indústria global, a escassez de infraestrutura de transmissão gera interrupções, volatilidade de preços e perda de competitividade frente a mercados concorrentes, elevando os custos de produção e prejudicando cadeias de suprimentos inteiras.

O grande erro estratégico é focar apenas na captação e esquecer a infraestrutura. De nada adianta o Brasil e o mundo lotarem o horizonte de placas solares e turbinas eólicas se faltarem redes elétricas eficientes para transportar essa eletricidade e sistemas de armazenamento para os momentos sem sol ou vento. Em termos globais, o relatório aponta a necessidade urgente de construir ou modernizar mais de 25 milhões de quilômetros de redes até 2030, garantindo o suporte necessário para que o setor fabril internacional não sofra com instabilidades operacionais ou custos elevados que comprometam o crescimento econômico sustentável.

No Brasil, esse gargalo de transmissão já cobra um preço altíssimo da nossa competitividade industrial. Desperdiçamos 20% da energia solar e eólica gerada nacionalmente no ano passado por absoluta falta de escoamento e armazenamento. A indústria nacional, que consome imensos volumes de eletricidade para manter linhas de montagem, fundições e processos contínuos, precisa de energia abundante, previsível e barata para produzir com eficiência e preservar postos de trabalho.

Para reverter esse quadro desfavorável, o Brasil precisa transformar planejamento em ação imediata. As fábricas nacionais dependem diretamente de uma política energética arrojada que priorize linhas de transmissão modernas e suporte técnico avançado. Sem essa base sólida, corre-se o risco de ver um potencial verde extraordinário escorrer pelos dedos, limitando a capacidade de expansão das empresas e travando a inovação tecnológica. Governos e corporações no Brasil devem unir forças para superar barreiras regulatórias, injetar recursos pesados na infraestrutura elétrica e assegurar que a energia gerada chegue com confiabilidade máxima a cada polo fabril, blindando a economia nacional contra crises de abastecimento e garantindo um futuro próspero para toda a sociedade.

*Vandermir Francesconi Júnior, é presidente em exercício do Ciesp e diretor da Fiesp. Artigo foi publicado, originalmente, no Jornal de Jundiaí, edição de 06/10/26.