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Evento promovido pelo Departamento Jurídico reuniu especialistas para debater proteção, acolhimento para mulheres vítimas de violência.

O Departamento Jurídico do CIESP Jundiaí, coordenado pela diretora Jurídica do DEJUR CIESP e coordenadora do Departamento Jurídico do CIESP Jundiaí, Dra. Elizabeth Broglio, promoveu nesta terça-feira (18) um encontro em referência ao Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Com o tema “Agosto Lilás – Da proteção no aspecto empresarial e social, ao novo cenário jurídico e aos desafios legais”, o evento reuniu especialistas de diferentes áreas para discutir a violência contra a mulher nos ambientes familiar, social e profissional, além dos caminhos de proteção e do papel das empresas na prevenção e no acolhimento.

Na abertura, Dra. Elizabeth Broglio destacou que a violência contra a mulher é uma realidade que pode estar muito mais próxima do que se imagina e que não está restrita a uma determinada classe social. “A violência contra a mulher está muito mais perto de nós do que imaginamos e não escolhe classe social, profissão ou condição econômica. Por isso, precisamos estar atentos aos sinais e, principalmente, preparados para ouvir. Muitas vezes, o primeiro passo para romper um ciclo de violência é encontrar alguém que acolha, escute com empatia e sem julgamentos”, afirmou.

Dra. Márcia Toledo contou sua experiência de vida e como seu trabalho vem impactando a vida de outras mulheres

Mentora NASA Space Brazil e mentora do programa Elas na Indústria/FIESP, Elizabeth também reforçou a importância de ampliar o olhar para além dos aspectos jurídicos, criando uma rede de apoio capaz de oferecer segurança e acolhimento às mulheres.

Ainda na abertura do evento, o presidente da OAB Jundiaí, dr. Daniel Martinelli, falou sobre a importância do evento não só para as empresas, mas para conscientizar as mulheres dos seus direitos. “A OAB tem diversas comissões com iniciativas focadas no combate à violência contra a mulher. A vítima precisa ser vista, ouvida e acolhida”, reforçou.

Violência familiar e a importância de romper o silêncio

A programação contou com a participação da assistente social, mestre em Políticas Sociais, coordenadora de Ensino Universitário, escritora e palestrante Dra. Márcia Toledo, que abordou a violência contra a mulher no âmbito familiar.

Baixe a apresentação da Dra. Marcia Toledo.

Uma das líderes do Projeto Desperta Débora, iniciativa que atua no acolhimento de mulheres e crianças por meio da oração, Márcia compartilhou experiências pessoais e reflexões construídas ao longo de sua trajetória. A vivência da própria família a levou a pesquisar os impactos da violência e a importância de oferecer cuidado também aos familiares.

Autora do livro E agora, Maria – entre o calar e o falar das violências domésticas, ela destacou que o silêncio pode prolongar o sofrimento e que a violência não está relacionada à condição social. “A violência não atinge apenas a mulher que sofre diretamente. Ela impacta toda a família e deixa marcas profundas. Precisamos romper o silêncio e criar espaços de escuta e acolhimento, porque muitas histórias permanecem escondidas por anos. Falar sobre a violência é também uma forma de cuidar e de prevenir que esse ciclo continue”, destacou.

Dra Raphaela Lemos abordou sobre as implicações e alcance da Lei Maria da Penha

A advogada, vice-presidente da OAB Jundiaí e coordenadora Regional do IBDFAM/SP, Dra. Raphaela Lemos, trouxe para o debate os aspectos jurídicos da violência doméstica e o papel da sociedade e das empresas nesse enfrentamento. Durante sua apresentação, ela abordou os mecanismos previstos na Lei Maria da Penha, os diferentes tipos de violência e a importância de que as mulheres conheçam seus direitos e saibam quais caminhos buscar para denunciar e se proteger.

Baixe a apresentação da Dra. Raphaela Lemos.

Raphaela também chamou atenção para a dependência emocional e financeira como fatores que podem dificultar o rompimento de relacionamentos abusivos, destacando a autonomia financeira como uma importante ferramenta de proteção. “A Lei Maria da Penha representa um importante instrumento de proteção, mas a existência da lei, por si só, não é suficiente. É preciso que a sociedade conheça os diferentes tipos de violência, saiba identificar os sinais e esteja preparada para agir. A autonomia financeira também é fundamental, porque a dependência emocional e econômica pode dificultar o rompimento com uma situação de violência”, explicou.

A advogada também destacou a necessidade de ampliar a discussão para toda a sociedade, incluindo empresas, que podem exercer papel importante na identificação, orientação e encaminhamento de situações de violência.

Dra. Richely Tamura abordou sobre a violência no ambiente corporativo, cuja experiência se tornou um propósito

Quando a experiência pessoal se transforma em propósito

Encerrando a programação, a empresária, CEO e mentora executiva organizacional, além de colunista da IstoÉ Mulher, Dra. Richely Tamura, abordou a violência no ambiente de trabalho a partir de sua própria experiência.

Baixe a apresentação da Dra Richely Tamura.

Richely relatou ter sido vítima de violência no ambiente profissional durante a gravidez de seu primeiro filho. A situação provocou intenso impacto emocional e teve consequências pessoais profundas. A partir da experiência, buscou processos terapêuticos e de desenvolvimento pessoal que contribuíram para ressignificar a situação e transformar a experiência em propósito.

Para ela, as empresas precisam estar preparadas não apenas para identificar e acolher vítimas, mas também para atuar na prevenção e na transformação dos comportamentos que contribuem para ambientes de violência. “Transformar uma experiência de dor em propósito foi uma escolha que fiz na minha trajetória. A violência no ambiente de trabalho me mostrou o quanto ainda precisamos avançar na preparação das empresas para acolher e apoiar as pessoas envolvidas nessas situações. Precisamos olhar para as vítimas, mas também compreender como atuar sobre os comportamentos que alimentam esses ciclos de violência e criar alternativas para que as mulheres possam reconstruir suas vidas com autonomia.”

Empresas também fazem parte dessa rede de proteção

Ao longo do encontro, as palestrantes reforçaram que o enfrentamento à violência contra a mulher exige uma atuação conjunta entre poder público, empresas, famílias e sociedade. Mais do que discutir a legislação e os mecanismos de denúncia, o Agosto Lilás no CIESP Jundiaí trouxe para o centro do debate a necessidade de informação, escuta, acolhimento, autonomia e responsabilidade coletiva.

“Nossa iniciativa vem destacar o papel das empresas na construção de ambientes mais seguros, respeitosos e preparados para reconhecer situações de violência e oferecer caminhos de orientação e apoio”, comentou, reforçando que combater a violência contra a mulher não é responsabilidade apenas de quem sofre ou de quem denuncia. É um compromisso de toda a sociedade”, completou dra. Elizabeth Broglio.

Cíntia Souza - Assessoria de Comunicação - CIESP Jundiaí