Discutir os caminhos para uma inclusão mais efetiva das pessoas com deficiência no mercado de trabalho, mostrando que a tecnologia pode ser uma importante aliada na eliminação de barreiras. Com esse objetivo, o CIESP Jundiaí promoveu dia 26 de agosto, a palestra “Caminhos da Inclusão e as Tecnologias Assistivas”, iniciativa dos Departamentos de Recursos Humanos e de Responsabilidade Social da entidade, coordenados, respectivamente, por Vânia Mazzoni e Cida Gibrail.
A palestra foi conduzida pelo professor Helvécio Siqueira de Oliveira, diretor da Escola SENAI Ítalo Bologna, em Itu, e do Instituto SENAI de Tecnologia Assistiva. Com ampla experiência na área de educação profissional de pessoas com deficiência, o professor atua especialmente nos temas de educação profissional, inclusão, educação especial e educação inclusiva.
À frente da unidade do SENAI de Itu, Helvécio contribuiu para consolidar a escola como referência na formação profissional de pessoas com deficiência. O próprio SENAI-SP destaca a unidade como referência na área: em levantamento divulgado pela instituição, a escola já havia preparado mais de 6 mil alunos para o mercado de trabalho e prestado assessoria para centenas de empresas para a adequação de instalações voltadas à inclusão, nas mais diversas áreas produtivas.
A atuação do SENAI Itu também envolve a identificação e adaptação de postos de trabalho, adequação de ambientes e equipamentos e desenvolvimento de ações de capacitação para a inclusão de pessoas com deficiência na indústria.
Durante a palestra no CIESP Jundiaí, além da abordagem sobre inclusão no ambiente empresarial, o SENAI Itu apresentou equipamentos e soluções de tecnologia assistiva, permitindo compreender de forma prática como esses recursos podem contribuir para ampliar a autonomia, a participação e as possibilidades profissionais das pessoas com deficiência, como por exemplo, o cook top adaptado que permite o cadeirante cozinhar com total segurança, máquina de costura adaptada, próteses de joelho, bengala dobrável, entre outros.
A importância desse trabalho também está relacionada à trajetória do professor Helvécio na área. Ao longo de sua carreira, ele recebeu reconhecimentos e prêmios nacionais e internacionais relacionados à sua atuação em tecnologia assistiva e inclusão, com premiações em Miami, em 2003; Nova York, em 2004; Londres, em 2005; Universidade do Texas, em 2013; além de reconhecimentos da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2016 e 2018.
Para a coordenadora do Departamento de Responsabilidade Social do CIESP Jundiaí, Cida Gibrail, promover o acesso ao conhecimento e às novas tecnologias faz parte do papel da entidade junto às empresas. “O CIESP Jundiaí é uma das 42 regionais do CIESP espalhadas pelo Estado de São Paulo e trabalha para oferecer subsídios técnicos às indústrias, especialmente diante das demandas do mercado e das legislações vigentes. Neste contexto, falar de inclusão é também falar de conhecimento, inovação e de soluções que possam ser aplicadas no dia a dia das empresas”, comentou Cida.
Na avaliação de Vânia Mazzoni, coordenadora do Departamento de Recursos Humanos, a inclusão precisa ser compreendida como parte da gestão das pessoas e da construção de ambientes de trabalho preparados para receber diferentes profissionais. “Para o RH, a inclusão representa um compromisso que vai muito além do cumprimento de uma legislação. É preciso preparar as pessoas, os ambientes e os processos para que o profissional com deficiência possa desenvolver plenamente seu potencial. Conhecer as possibilidades oferecidas pelas tecnologias assistivas amplia esse olhar e ajuda as empresas a perceberem que muitas barreiras podem ser superadas quando existe conhecimento, planejamento e disposição para adaptar”, explicou.
A palestra reforça, assim, uma visão de inclusão baseada não apenas na presença da pessoa com deficiência no ambiente profissional, mas na criação das condições necessárias para que ela possa participar, desenvolver suas competências e exercer suas atividades com autonomia e segurança. “Não existe empregado de cota, existe o empregado. No SENAI trabalhamos para promover a inclusão. O colaborador não precisa de piedade, ele precisa de oportunidade”, defendeu o professor Helvécio.
A experiência do SENAI de Itu demonstra como educação profissional, tecnologia e adaptação dos ambientes de trabalho podem caminhar juntas. Em iniciativas anteriores, a unidade apresentou projetos voltados à eliminação de barreiras físicas e operacionais nos ambientes de trabalho e domésticos, reforçando o potencial da tecnologia assistiva como instrumento de inclusão.
“O que cada empresa tem que fazer? Atender a lei, pensando no aspecto legal, na cidadania e empatia com as pessoas e sem se esquecer que todos nós teremos alguma deficiência até o fim da vida: seja dificuldade de se locomover, auditiva ou visual. Infelizmente, a cultura latina não respeita o idoso, então, faça agora, enquanto você é ouvido: seja pelo aspecto legal, pela cidadania, seja por altruísmo, mas faça. Todos nós podemos fazer”, sinalizou, reforçando que todas as tecnologias assistivas desenvolvidas pelo SENAI SP, na escola de Itu, podem ser copiadas. “Não estamos preocupados com a concorrência, nós trabalhamos para buscar e transferir tecnologia”, explicou.
Para baixar as apresentações do professor Helvécio, clique aqui.
O encontro promovido pelo CIESP Jundiaí busca justamente aproximar esse conhecimento da realidade das empresas, contribuindo para que a indústria avance na construção de ambientes profissionais cada vez mais acessíveis, inclusivos e preparados para a diversidade.
Cíntia Souza – Assessoria de Comunicação – CIESP Jundiaí